segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Identidade, internet e privacidade

Devido à característica fundamental da sociedade contemporânea, isto é, à liquidez, temos um pluralismo identitário, uma vez que devemos estar sempre nos adequando a diversas posições, e que, por conseguinte, contribuem para a formação do sujeito. E é justamente nessa sociedade pós-moderna em que a internet tem grande influência na reprodução das inúmeras identidades.
Na verdade, a internet reflete muito bem a característica da nossa sociedade atual. Nela também vemos as multiplicidades, não só vemos como sentimos, de fato somos. Quantos identidades e e-mails e temos? De quantos fóruns, de assuntos totalmente diferentes, nós participamos e aos quais devemos sempre nos adequar? Há diversas ferramentas na internet, tais como blogs, redes sociais, sites exclusivos para hospedagem e compartilhamento de vídeos ou fotos, entre outros. Em todos esses locais da web é possível que nós criemos novas identidades e até mesmo identidades falsas devido ao anonimato.
Estabelecem-se pseudônimos visando o fantástico mundo virtual chamado internet. Neste mundo, não há espaço e o tempo nem é tão relevante assim (você pode receber mensagens em tempos distintos e respondê-las em tempos diversos). A respeito do tempo, reflete-se na realidade o seu subjugamento perante o espaço, por exemplo. Isto quer dizer que as redes do cyber-espaço interferem a todo tempo nosso mundo concreto. Logo, acaba havendo uma corrosão entre as fronteiras do real e do virtual e, em virtude disso, o indivíduo não se vê mais somente em sua vida prática, agora estamos presentes em múltiplos mundos exercendo diferentes papéis ao mesmo tempo.
Como consequência dessa suposta corrosão entre as fronteiras do real e o virtual,  temos uma fluidez considerável entre o âmbito particular e o âmbito público. Podemos nos indagar se, na pós-modernidade, a esfera privada tem estado condenada à sua redução. Poderíamos afirmar que de fato a privacidade morreu? Há alguns anos, era impensável toda essa exposição nós fazemos através das redes sociais. Os mecanismos que a internet tem à disposição favorecem essa exposição, tanto voluntária quanto involuntária. Todos os dias vigiamos e somos vigiados, ou seja, nossas identidades privadas tornam-se cada vez mais públicas.