Devido
à característica fundamental da sociedade contemporânea, isto é,
à liquidez, temos um pluralismo identitário, uma vez que devemos
estar sempre nos adequando a diversas posições, e que, por
conseguinte, contribuem para a formação do sujeito. E é justamente
nessa sociedade pós-moderna em que a internet tem grande influência
na reprodução das inúmeras identidades.
Na
verdade, a internet reflete muito bem a característica da nossa
sociedade atual. Nela também vemos as multiplicidades, não só
vemos como sentimos, de fato somos. Quantos identidades e e-mails e
temos? De quantos fóruns, de assuntos totalmente diferentes, nós
participamos e aos quais devemos sempre nos adequar? Há diversas
ferramentas na internet, tais como blogs, redes sociais, sites
exclusivos para hospedagem e compartilhamento de vídeos ou fotos,
entre outros. Em todos esses locais da web é possível que nós
criemos novas identidades e até mesmo identidades falsas devido ao
anonimato.
Estabelecem-se
pseudônimos visando o fantástico mundo virtual chamado internet.
Neste mundo, não há espaço e o tempo nem é tão relevante assim
(você pode receber mensagens em tempos distintos e respondê-las em
tempos diversos). A respeito do tempo, reflete-se na realidade o seu
subjugamento perante o espaço, por exemplo. Isto quer dizer que as
redes do cyber-espaço interferem a todo tempo nosso mundo concreto.
Logo,
acaba
havendo uma corrosão entre as fronteiras do real e do virtual e, em
virtude disso, o indivíduo não se vê mais somente em sua vida
prática, agora estamos presentes em múltiplos mundos exercendo
diferentes papéis ao mesmo tempo.
Como
consequência dessa suposta corrosão entre as fronteiras do real e o
virtual, temos uma
fluidez considerável entre o âmbito particular e o âmbito público.
Podemos
nos indagar se, na pós-modernidade, a esfera privada tem estado
condenada à sua redução. Poderíamos afirmar que de
fato
a privacidade morreu? Há alguns anos, era impensável toda essa
exposição nós fazemos através das redes
sociais. Os mecanismos que a internet tem à disposição favorecem
essa exposição, tanto voluntária quanto involuntária. Todos os
dias vigiamos e somos vigiados, ou
seja, nossas
identidades privadas tornam-se cada vez mais públicas.