terça-feira, 29 de julho de 2014

Consumo e identidade

Com efeito, o consumo sempre foi importante para nós seres humanos. Podemos viver sem ao menos produzir, mas não se não consumirmos. No nosso modo de vida atual, é claro, produzimos e muito. Ao sermos remunerados pela venda da nossa força de trabalho, não é só natural, como essencial que consumamos esses bens, seguindo a lógica do fluxo econômico contido na racionalidade econômica do ciclo de produção e reprodução social.
Pra termos uma ideia da grandeza do consumo, ocorrem até mesmo disputas por este, isto é, para participar desse cenário e usufruir do que a sociedade produz. Sobretudo quando camadas populares começam a consumir mais e ascenderem economicamente. Como grande exemplo recente, tivemos os famosos “rolezinhos” que aconteceram nos mais diversos shoppings de São Paulo. Estes jovens buscavam se afirmar identitariamente por meio do consumo. Nota-se suas a similaridades de vestuário. Muitos gastam todo seu dinheiro em algumas peças, as quais são de fato originais, a fim seguir o padrão de “ostentação” tanto difundido através das letras de músicas das quais eles gostam.
Este foi apenas um exemplo de como o consumo pode ser um meio através do qual um indivíduo traduz sua identidade. Veja bem, isto ocorre em todas as classes as sociais. Aliás, o fato do rolezinho é muito mais peculiar, em virtude de os jovens serem de classes sociais menos abastadas. No entanto, o consumo usado como este meio é muito mais recorrente a outras parcelas da sociedade, por motivos já conhecidos.
         Como o consumo é o principal meio de acesso àquilo necessário para a construção das identidades, esta acaba se tornando uma mercadoria. O consumo, portanto, torna-se uma necessidade à própria existência. E o mercado aproveita-se muito bem disso, por meio do marketing e da publicidade eles impelem-nos cada vez mais a satisfazer essas vontades e “necessidades” artificiais.
Cada vez mais o indivíduo tem dificuldade para assumir sua existência. Por conseguinte, essa ansiedade e incerteza sobre si mesmo expressam-se no ato de consumir. Devido a isso, tem-se impactos na alteridade e nas relações do indivíduo para com a sociedade.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Globalização e a crise das identidades

Há um processo pelo qual grande parte do mundo tem passado chamado globalização. Pode-se definir como processos que comprimem o espaço e o tempo, sobrepujando as distâncias, graças às comunicações instantâneas – diga-se, também, trocas, tanto de informações, capital, serviços, etc. entre pessoas – de modo a promover influências de lugares e pessoas, em toda parte do mundo.
Fala-se muito acerca de alguns aspectos da globalização sobre as identidades culturais, tais como algumas consequências: homogeneização cultural, ou até mesmo a resistência à globalização tendo como produto o reforço de identidades locais.
O mercado global de estilos, lugares, imagens e produtos, visa decerto a padronização das necessidades e desejos, a fim de aumentar sua extensão. Quanto mais ocorre a padronização, mais as identidades se tornam desvinculadas de lugares, histórias e, sobretudo, das tradições. A vida social acaba sendo mediada por este mesmo mercado. E, graças ao consumismo global as identidades são reduzidas a uma espécie de mesma linguagem mundial através da qual todas as identidades podem ser expressas.
Também podemos dizer que a lógica do mercado tem sido fator de deslocamento das identidades nacionais. O Estado tem cada vez menos se importado a manter uma união sólida de nação. Por incrível que pareça, o patriotismo foi passado para a força do mercado, como podemos ver com a Copa do Mundo, por exemplo.

As localidades (lugares) que são separadas pelas distâncias, devido à sua supressão, têm perdido o seu significado. Causando, então, uma crise no que podemos dizer território e consequentemente no Estado-nação, o qual não tem mais competência para garantir recursos culturais da sustentação das identidades.

domingo, 6 de julho de 2014

O trabalho como agente de formação de identidade

Se houve algo na primeira aula de Identidade e Cultura que me fez refletir, foi sobre o trabalho A fala da professora e o relato de uma colega, ambas sobre seus pais e como eles lidaram com a possível saída de seus respectivos empregos devido ao período da reestruturação produtiva me fez indagar quão importante é o trabalho para a construção da identidade de um sujeito.
O trabalho já teve inúmeras concepções: Na Grécia o trabalho tinha um significado pejorativo, uma vez que era associado à satisfação de necessidades básicas (produzir, vestir-se, alimentar-se) tanto é que este era de competência dos escravos. O mais alto grau de atividade humana se concentrava na filosofia. Na época medieval também havia uma concepção pejorativa. Não competia para o nobre trabalhar. Isto era função dos servos. O mesmo acontecia nos primórdios do período moderno, no qual a classe com mais prestígio social (nobres) também manteve seu o seu ideal. Mas com a ascensão de uma nova classe, ascensão esta conseguida através do próprio “trabalho”, aconteceram inúmeras modificações na concepção da atividade laborativa. Sobretudo com a reforma protestante. A racionalidade que trabalho possui hoje é inexorável.
. De acordo com a professora, seu pai sofreu muito ao passar por uma suposta crise de identidade, chegando ao ponto de fazer do álcool um fator de reconstrução desta identidade, visto que ele, segundo a nossa própria professora, ia aos bares acompanhado de seus diversos outros companheiros desempregados e também afetados pela reestruturação produtiva.
Portanto, é indubitável o papel que o trabalho tem. O trabalho é o principal meio através do qual o ser humano dialoga com a sociedade. Ele ajuda-nos a construir nossa auto-imagem e identidade. E quando há uma quebra dele com este laço, afastando o trabalhador de sua atividade, há, por conseguinte, a fragilização de sua identidade.
Aualmente, tem havido uma outra perda de uma identidade, que eu, particularmente, acho relevante citar, uma vez que esse post tem a ver com o trabalho e o sentido de identidade. Na nossa organização das relações sociais de produção, temos como produto característico a separação entre as diversas espécies de trabalho, isto é, a própria divisão do trabalho. Esta divisão do trabalho tem como principal consequência a formação de complexas identidades laborativas, digamos assim. Tanto é que a própria sensação de pertencimento a uma classe está enfraquecida.
Vê-se com frequência o repúdio que muitas pessoas têm acerca de algumas greves que aconteceram recentemente. É claro que grande parte tem suas justificativas do porquê de não as achar legítimas, cabendo até uma investigação sobre elas, evidentemente. Entretanto, esquecem-se que também fazem parte de uma mesma classe.