Com efeito, o consumo sempre foi
importante para nós seres humanos. Podemos viver sem ao menos
produzir, mas não se não consumirmos. No nosso modo de vida atual,
é claro, produzimos e muito. Ao sermos remunerados pela venda da
nossa força de trabalho, não é só natural, como essencial que
consumamos esses bens, seguindo a lógica do fluxo econômico contido
na racionalidade econômica do ciclo de produção e reprodução
social.
Pra termos uma ideia da grandeza do
consumo, ocorrem até mesmo disputas por este, isto é, para
participar desse cenário e usufruir do que a sociedade produz.
Sobretudo quando camadas populares começam a consumir mais e
ascenderem economicamente. Como grande exemplo recente, tivemos os
famosos “rolezinhos” que aconteceram nos mais diversos shoppings
de São Paulo. Estes jovens buscavam se afirmar identitariamente
por meio do consumo. Nota-se suas a similaridades de vestuário.
Muitos gastam todo seu dinheiro em algumas peças, as quais são de fato
originais, a fim seguir o padrão de “ostentação” tanto
difundido através das letras de músicas das quais eles gostam.
Este foi apenas um exemplo de como o
consumo pode ser um meio através do qual um indivíduo traduz sua
identidade. Veja bem, isto ocorre em todas as classes as sociais.
Aliás, o fato do rolezinho é muito mais peculiar, em virtude de os
jovens serem de classes sociais menos abastadas. No entanto, o
consumo usado como este meio é muito mais recorrente a outras
parcelas da sociedade, por motivos já conhecidos.
Como
o consumo é o principal meio de acesso àquilo necessário para a
construção das identidades, esta acaba se tornando uma mercadoria.
O consumo, portanto, torna-se uma necessidade à própria existência.
E o mercado aproveita-se muito bem disso, por meio do marketing e da
publicidade eles impelem-nos cada vez mais a satisfazer essas
vontades e “necessidades” artificiais.
Cada vez mais o indivíduo tem
dificuldade para assumir sua existência. Por conseguinte, essa
ansiedade e incerteza sobre si mesmo expressam-se no ato de consumir.
Devido a isso, tem-se impactos na alteridade e nas relações do
indivíduo para com a sociedade.
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