domingo, 6 de julho de 2014

O trabalho como agente de formação de identidade

Se houve algo na primeira aula de Identidade e Cultura que me fez refletir, foi sobre o trabalho A fala da professora e o relato de uma colega, ambas sobre seus pais e como eles lidaram com a possível saída de seus respectivos empregos devido ao período da reestruturação produtiva me fez indagar quão importante é o trabalho para a construção da identidade de um sujeito.
O trabalho já teve inúmeras concepções: Na Grécia o trabalho tinha um significado pejorativo, uma vez que era associado à satisfação de necessidades básicas (produzir, vestir-se, alimentar-se) tanto é que este era de competência dos escravos. O mais alto grau de atividade humana se concentrava na filosofia. Na época medieval também havia uma concepção pejorativa. Não competia para o nobre trabalhar. Isto era função dos servos. O mesmo acontecia nos primórdios do período moderno, no qual a classe com mais prestígio social (nobres) também manteve seu o seu ideal. Mas com a ascensão de uma nova classe, ascensão esta conseguida através do próprio “trabalho”, aconteceram inúmeras modificações na concepção da atividade laborativa. Sobretudo com a reforma protestante. A racionalidade que trabalho possui hoje é inexorável.
. De acordo com a professora, seu pai sofreu muito ao passar por uma suposta crise de identidade, chegando ao ponto de fazer do álcool um fator de reconstrução desta identidade, visto que ele, segundo a nossa própria professora, ia aos bares acompanhado de seus diversos outros companheiros desempregados e também afetados pela reestruturação produtiva.
Portanto, é indubitável o papel que o trabalho tem. O trabalho é o principal meio através do qual o ser humano dialoga com a sociedade. Ele ajuda-nos a construir nossa auto-imagem e identidade. E quando há uma quebra dele com este laço, afastando o trabalhador de sua atividade, há, por conseguinte, a fragilização de sua identidade.
Aualmente, tem havido uma outra perda de uma identidade, que eu, particularmente, acho relevante citar, uma vez que esse post tem a ver com o trabalho e o sentido de identidade. Na nossa organização das relações sociais de produção, temos como produto característico a separação entre as diversas espécies de trabalho, isto é, a própria divisão do trabalho. Esta divisão do trabalho tem como principal consequência a formação de complexas identidades laborativas, digamos assim. Tanto é que a própria sensação de pertencimento a uma classe está enfraquecida.
Vê-se com frequência o repúdio que muitas pessoas têm acerca de algumas greves que aconteceram recentemente. É claro que grande parte tem suas justificativas do porquê de não as achar legítimas, cabendo até uma investigação sobre elas, evidentemente. Entretanto, esquecem-se que também fazem parte de uma mesma classe. 

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