Se houve algo na primeira
aula de Identidade e Cultura que me fez refletir, foi sobre o
trabalho A fala da professora e o relato de uma colega, ambas sobre
seus pais e como eles lidaram com a possível saída de seus
respectivos empregos devido ao período da reestruturação produtiva
me fez indagar quão importante é o trabalho para a construção da
identidade de um sujeito.
O trabalho já teve
inúmeras concepções: Na Grécia o trabalho tinha um significado
pejorativo, uma vez que era associado à satisfação de necessidades
básicas (produzir, vestir-se, alimentar-se) tanto é que este era de
competência dos escravos. O mais alto grau de atividade humana se
concentrava na filosofia. Na época medieval também havia uma
concepção pejorativa. Não competia para o nobre trabalhar. Isto
era função dos servos. O mesmo acontecia nos primórdios do período
moderno, no qual a classe com mais prestígio social (nobres) também
manteve seu o seu ideal. Mas com a ascensão de uma nova classe,
ascensão esta conseguida através do próprio “trabalho”,
aconteceram inúmeras modificações na concepção da atividade
laborativa. Sobretudo com a reforma protestante. A racionalidade que
trabalho possui hoje é inexorável.
. De acordo com a
professora, seu pai sofreu muito ao passar por uma suposta crise de
identidade, chegando ao ponto de fazer do álcool um fator de
reconstrução desta identidade, visto que ele, segundo a nossa
própria professora, ia aos bares acompanhado de seus diversos outros
companheiros desempregados e também afetados pela reestruturação
produtiva.
Portanto, é indubitável
o papel que o trabalho tem. O trabalho é o principal meio através
do qual o ser humano dialoga com a sociedade. Ele ajuda-nos a
construir nossa auto-imagem e identidade. E quando há uma quebra
dele com este laço, afastando o trabalhador de sua atividade, há,
por conseguinte, a fragilização de sua identidade.
Aualmente, tem havido
uma outra perda de uma identidade, que eu, particularmente, acho
relevante citar, uma vez que esse post tem a ver com o trabalho e o
sentido de identidade. Na nossa organização das relações sociais
de produção, temos como produto característico
a separação entre as diversas espécies de trabalho, isto
é, a própria divisão do trabalho. Esta
divisão do trabalho tem como principal consequência a formação de
complexas identidades laborativas, digamos assim. Tanto é que a
própria sensação de pertencimento a uma classe está enfraquecida.
Vê-se
com frequência o repúdio que muitas pessoas têm acerca de algumas
greves que aconteceram recentemente. É claro que grande parte tem
suas justificativas do porquê de
não as achar legítimas, cabendo
até uma investigação sobre elas, evidentemente. Entretanto,
esquecem-se que também fazem parte de uma mesma classe.
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